Os adolescentes de Harry Potter: IV – Cedrico Diggory

Continuando a série Os adolescentes de Harry Potter, o quarto post relembra Cedrico Diggory, bruxo da casa Lufa-lufa que faleceu aos dezessete anos, vítima de Lord Voldemort.

 

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“Cedrico Diggory, o verdadeiro campeão de Hogwarts.” Era assim que alguns alunos da escola manifestavam seu apoio ao colega, na ocasião do Torneio Tribruxo. Apesar de ser uma atitude de má fé para intimidar Harry Potter, eles não estavam de todo errados – Cedrico era e tinha a personalidade mesmo de um campeão. Modelo moral, representava o que muitos garotos bruxos queriam ser na juventude: inteligente, talentoso, bonito e bom no Quadribol. Tão bom que era apanhador e capitão do time… da Lufa-lufa. Um lufano. Logo aquela casa que é tida como a menos excepcional (que grande mentira!), acolher um bruxo como Cedrico, verdadeiro diamante bruto. Pois era amarela e preta a sua casa; a casa dos justos, dos trabalhadores, dos leais. O galã de Hogwarts, criado com todo o amor e orgulho dos pais, ajudou e muito a quebrar o estigma da casa. Pena que sua ascensão a um destino certamente estelar foi interrompida de maneira tão abrupta.
A primeira aparição de Cedrico Diggory foi em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Grifinória e Lufa-lufa disputavam uma partida de Quadribol em meio a um temporal. A invasão ilegal de dementadores faz com que Harry caia da vassoura. Cedrico captura o pomo de ouro debaixo de uma chuva torrencial, mas, após saber das circunstâncias de sua vitória, exige uma nova partida. Para ele, não era justo a Lufa-lufa ganhar o jogo se o seu oponente não tinha condições de voar. Isso fala bastante sobre o senso de justiça de Cedrico, bem como a sua própria moral: ele não queria aquela vitória às custas do sofrimento dos outros.
Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, vemos muito mais desse lufano. Antes mesmo de o ano letivo começar, Harry e os Weasley encontram Cedrico e o pai, Amos, para assistir à Copa Mundial de Quadribol. Nesse momento, vemos a relação entre pai e filho (além do gosto compartilhado pelo esporte), o que nos dá algumas pistas de como se deu a criação de Cedrico – ele aparenta ter sido uma criança amada, a quem foram dadas todas as oportunidades para que crescesse e realizasse feitos grandiosos. Muito provavelmente, os Diggory investiram pesado na “preparação do filho para o futuro”, numa noção bem moderna de infância. Fica claro o quanto Amos se orgulha de Cedrico, às vezes de forma até exacerbada. Faz questão de repetir que o filho “derrotou Harry Potter” naquela partida, embora ele também faça questão de repetir, constrangido, que foi um acidente e Harry caiu da vassoura. A isso, o pai responde: “É, mas você não caiu, não é mesmo? […] Sempre modesto, o nosso Ced, sempre cavalheiro…”
Amos Diggory é um pai dedicado, porém – como todo mundo – não é perfeito. Exige demais do filho, isso fica evidente. Além disso, trata elfos domésticos com grosseria e estupidez, o que só reforça o sentimento de que o preconceito com essas criaturas está praticamente enraizado na comunidade bruxa. Porém, (como o próprio Amos pontuou) apesar do espírito competitivo e da bajulação do pai, e de toda a sua popularidade na escola, Cedrico é um adolescente modesto. Adicionamos mais esta à imensa lista de qualidades do lufano, que quase parece bom demais para ser real. (Bom, na verdade, ele não é real mesmo. Ele é um personagem. Mas não é isso que está em questão.)
Durante o Torneio Tribruxo, Cedrico é escolhido como campeão de Hogwarts – apesar disso, é ofuscado novamente por Harry, que também participa do torneio, e sob quem todos os holofotes recaem. É necessário pontuar essa oposição que se dá, a todo momento, entre esses dois personagens. Alguns leitores ponderam: Cedrico é quem Harry seria, se não houvesse Voldemort. Ambos são de famílias tradicionais, corajosos e inteligentes, excelentes no Quadribol e de boa índole. Claro; falta a Harry um quê de charme e elegância (e agradecemos às descrições maravilhosas de Rowling e a interpretação de Robert Pattinson por isso), além de certo traquejo social – mas, em essência, Harry e Cedrico estão num mesmo patamar. De fato, os dois são tão parecidos que demonstram interesse romântico pela mesma garota, a oriental Cho Chang. O lufano é vitorioso sobre o grifinório também nesse aspecto, sendo mais rápido em convidá-la ao baile e engatar um relacionamento com a garota. Formando um casal tão bonito e popular, tenho certeza que se Hogwarts fosse uma escola de Ensino Médio norte-americana, Cho e Cedrico seriam coroados “rei e rainha do baile”.
No referente às provas do torneio, contudo, Cedrico começa em desvantagem. É o único que não dá um “jeitinho” de descobrir o que vem pela frente, o que talvez aponte para uma ingenuidade inerente a ele (ele tinha que ter algum defeito, não é mesmo?). Porém, após receber ajuda, retorna o favor em todas as ocasiões – culminando para os últimos momentos de sua vida, quando é transportado junto com Harry para o cemitério de Little Hangleton. Cedrico não deveria estar ali; na verdade, só o estava porque ele e Harry chegaram juntos à Taça Tribruxo (objetivo da prova final do Torneio), e porque insistiu que a tocassem juntos. Num desfecho trágico, Voldemort ordena que seu subordinado “mate o intruso” – e assim, num piscar de olhos, Cedrico é arrancado deste mundo.
A sua morte, apesar de brutal, é simbólica e muito importante para a trama: serve ao propósito de anunciar o fim de uma era, o retorno de Voldemort, bem como reforçar a crueldade e displicência do Lord das trevas para com a vida. A morte de Cedrico afetou Harry profundamente, conferindo-lhe a sensibilidade necessária para poder enxergar testrálios. Foi um dos fatores que motivaram a criação da Armada de Dumbledore, no livro seguinte. Foi, inclusive, o pretexto para o início de um relacionamento entre Harry e Cho.
Mas, acima de tudo, foi um choque e uma perda trágica para Hogwarts e toda a comunidade mágica. Vale lembrar o discurso de Dumbledore, na ocasião da homenagem póstuma ao jovem bruxo. Cedrico teria se tornado um grande bruxo. O garoto tão amado e preparado pelos pais, o verdadeiro campeão de Hogwarts, foi arrancado do mundo – cedo demais.
“Há muita coisa que eu gostaria de dizer a todos vocês esta noite mas, primeiro, quero lembrar a perda de uma excelente pessoa, que deveria estar sentado aqui […], festejando conosco. Eu gostaria que todos os presentes, por favor, se levantassem e fizessem um brinde a Cedrico Diggory. […] Cedrico era o aluno que exemplificava muitas das qualidades que distinguem a Casa da Lufa-lufa. […] Era um amigo bom e leal, uma pessoa aplicada, valorizava o jogo limpo. Sua morte nos afetou a todos, quer vocês o conhecessem bem ou não. […] Lembrem-se de Cedrico Diggory. Lembrem-se, se chegar a hora de terem de escolher entre o que é certo e o que é fácil, lembrem-se do que aconteceu com um rapaz que era bom, generoso e corajoso, porque ele cruzou o caminho de Lord Voldemort. Lembrem-se de Cedrico Diggory.”

 

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