Uma conversa sobre os clássicos

Na obra “Como e Por que ler os clássicos universais desde cedo”, Ana Maria Machado – Escritora, pintora, jornalista, tradutora, doutora em Linguística e Semiologia pela École Pratique des Hautes Études (Paris) e membro da Academia Brasileira de Letras – inspirada na obra “Por que ler os clássicos universais”, de Ítalo Calvino, nos leva a um verdadeiro mergulho pelos clássicos, ressaltando a importância do conhecimento dessas narrativas na infância. Machado considera os clássicos como “patrimônio da humanidade”, herança literária da qual todos os seres humanos fazem parte, e defende que não apresentar as crianças estas narrativas é lhes negar o direito a essa herança.
Não saber nada disso é uma pena. Aprender tudo depois de adulto é uma tarefa pesada e sem graça. Porque não é assim que deve ser como se fosse num dicionário. Mas, ir aos poucos, desde criança, se familiarizando com todas as histórias que estão no subterrâneo dessas referências, sem pressa, é um prazer e um enriquecimento de espírito. Negar isso às futuras gerações é um desperdício absurdo, equivale a jogar no lixo um patrimônio valiosíssimo que a humanidade vem acumulando há milênios. (MACHADO, 2009, p.30)
Ao longo de doze capítulos, onde cada um deles apresenta uma temática distinta – contos de fadas, textos bíblicos, histórias marítimas, mitologia grega, a exemplo- Ana Maria Machado não objetiva criar um programa curricular que deve ser seguido à risca, pelo contrário, cada capítulo traz uma reflexão sobre a temática em questão e ressalta as razões para cada obra citada ter sido citada. A própria autora, no capítulo conclusivo, explica:
“Isso aqui é só um convite acompanhado de um mapa. Não é uma fórmula, nem uma receita, nem um programa curricular. Não se espera que ninguém saia lendo todos esses livros um atrás do outro”. (MACHADO, 2009, p.131)
Durante toda obra a autora mantém um tom de conversa com o leitor, dessa maneira ela consegue “abrir parênteses” para dialogar sobre diferentes temáticas que se relacionam aos temas dos capítulos. Como quem abre parênteses a autora emite o seu posicionamento no polêmico debate em torno das adaptações. Para Machado as adaptações- de boa qualidade- são importantes para o primeiro contato das crianças com algumas obras, porém a autora faz uma séria crítica as más adaptações dos contos de fadas ela afirma que
Essas versões expurgadas dos contos de fadas, em nome do moralismo, do didatismo, do realismo ou do “politicamente correto”, na melhor das hipóteses costumam combinar duas características que não são apenas uma rima, mas uma lástima: arrogância e ignorância. (MACHADO,2002,p.76)
Para concluir, acredito que a pertinência das discussões fomentadas na obra, a importância do que é discutido e a competência de Ana Maria Machado para discorrer sobre a leitura dos clássicos na infância, além das outras temáticas sutilmente abordadas  que somam-se  a esta, fazem de “Como e Por que ler os clássicos universais desde cedo” uma obra fundamental para ser lida por todos aqueles que se preocupam com questões relacionadas a leitura, literatura e principalmente à infância.

REFERÊNCIA
MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
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