Carta aberta aos pais de Chapeuzinho Vermelho

Os contos de fadas são íntimos e pessoais, contando-nos sobre a busca […] de poder e privilégio, e o mais importante, sobre um caminho para sair da floresta e voltar à proteção e segurança de casa. (TATAR, 2010, p. 07).
Que tipo de pessoa abandonaria os filhos para morrer no interior de uma floresta escura? Não é difícil supor que, de modo geral, as respostas que seriam dadas a essa pergunta tendam a ser unânimes, ainda que feitas a pessoas de estratos sociais diametralmente distintos ou de nacionalidades variadas do globo: só uma pessoa má faria uma coisa dessas. Ponto.
Se nos detivermos com aguda atenção à indagação feita acima, notaremos que há algo de tendencioso em seu bojo, algo que guia as respostas, que induz e produz unanimidade, bem como inviabiliza um olhar que vá mais além da expectativa autoritária de retorno gerada pelo enunciado. É essa unanimidade que pretendo rasurar neste primeiro momento.
A pergunta diz de uma prática claramente condenável (o abandono/assassinato de crianças) e sugere que para colocar tal prática em ação é preciso ser um tipo muito específico de pessoa. A pergunta diz, sem dizer, que há um tipo de pessoa capaz de abandonar crianças numa floresta ou, dito de modo inverso, que abandonar crianças em uma floresta é uma prática que demanda uma espécie distinta de caráter. O enunciado, construído para anular outros modos de abordar a questão, tende a ser verbalizado em um tom de perplexidade e certo quê de condenação, contribuindo para que a unanimidade seja alcançada com sucesso. Afinal, quem ousaria tentar ver a questão por outra ótica, que não a óbvia, e relativizar esse tipo de situação proposta? Vejamos.
Cidade de Aleppo, Síria, 2016. Mais de 400 mil civis mortos sumariamente, suicídios sistemáticos, mães em desespero com suas crianças sob a sombra de estupros e escravidão sexual ou de um fuzilamento impiedoso. A ONU define a situação na cidade como o colapso total do sentido de humanidade. No olho de um furação bélico, impotentes, incapazes de se defenderem, num contexto social humanamente extremo, psicologicamente paranoico, que unanimidade haverá diante do questionamento:
Que tipo de ser humano pediria permissão para matar as próprias filhas, como fizeram em Aleppo? Talvez, de posse do entorno socio-político-cultural em questão, a unanimidade se fizesse presente, mas como a total falta de palavras.
O livro do Gênesis, que carrega em si a visão mitológica da perspectiva hebraica acerca da criação do mundo, traz o relato de Agar, uma escrava, que foi estuprada por Abraão com o consentimento de sua esposa, Sarai, senhora de Agar. Expulsa de casa juntamente com seu filho, fruto da violação, Agar caminha a esmo pelo deserto até chegar ao ponto de não mais suportar ver o menino chorar de sede e fome. Desesperada e em prantos, deixa-o debaixo de um arbusto e abandona-o, sem forças para ver a criança morrer.
Em O Pequeno Polegar, de Perrault, o narrador discorre acerca de um casal de pobres camponeses: “Veio um ano muito ruim, e tão grande foi a fome que essas pobres pessoas resolveram se desfazer de seus filhos” (PERRAULT, 2015, p. 49). Comentando esse trecho, o historiador Robert Darnton procede a uma contextualização histórica do momento em que o conto foi produzido e acabara por se inscrever na trama da história:
[…] o tom casual sugere como se tornara comum a morte de crianças, no início da França moderna. Perrault escreveu seu conto em meados de 1690, no auge da pior crise demográfica do século XVII — período em que a peste e a fome dizimavam a população do norte da França, quando os pobres comiam carniça atirada nas ruas por curtidores, quando eram encontrados cadáveres com capim na boca e as mães “expunham” os bebês que não podiam alimentar, para eles adoecerem e morrerem. Abandonando seus filhos na floresta, os pais do Pequeno Polegar tentavam enfrentar um problema que acabrunhou os camponeses muitas vezes, nos séculos XVII e XVIII — o problema da sobrevivência durante um período de desastre demográfico. (DARNTON, 1986, pp. 48-49).
Trago as questões acima não como uma tentativa de racionalizar crimes, mas como uma proposta de reflexão perante as atitudes de personagens com os quais convivemos desde a infância e os quais costumamos encarar com perplexidade quando adultos. Ao evidenciar que as coisas nem sempre são tão óbvias e simples quanto aparentam, pretendo lembrar que, na história da humanidade, muitas pessoas de bom coração, ao se verem em situações extremas, foram levadas fazer o inimaginável. Para muitas das mulheres em Aleppo, bem como em outros contextos de ditadura, morrer se revelou a única forma de resistência, “a morte, nesse caso, não como o fim do sofrimento, ou o destino traçado pelos opressores para as suas vítimas, mas uma ação consciente de quem comanda o seu destino e protesta contra todo e qualquer ato de tirania” (SOUSA, 2008, p. 133).
Os contos de fadas estão repletos de personagens em situações extremas, figuras que, em meio a um repentino fuzilamento psicológico, deparam-se com as mais abjetas alternativas a fim de sanar o sofrimento daqueles que não suportam ver definhando, tal como Agar no relato bíblico, e tal como as mulheres em Aleppo que viram-se sob ameaça iminente da escravidão sexual e de toda brutalidade e desumanização implicada no processo. Em todos esses casos, estamos diante de seres humanos sobre os quais a desgraça e a catástrofe se abateram, revelando-lhes a mais horrenda das suas multifaces, para as quais ninguém jamais pode se preparar totalmente e cujos efeitos sobre os corpos são imprevisíveis. Personagens e situações que apenas vêm nos lembrar que, como todos eles, nós também estamos sujeitos a provações das mais terríveis. Por isso, diante das personagens dos contos de fadas, talvez devêssemos pensar algumas vezes antes de erguer o indicador em riste e, com perplexidade, indagar que tipo de pessoa faria isso ou aquilo.
E é essa a faceta da literatura – a de nos afetar, de uma forma ou de outra, por meio das ações e dos destinos das personagens – a qual pretendo recorrer a fim de evidenciar como somos contraditórios ao nos colocarmos sempre na posição a apontar as ações de certas personagens dos contos de fadas, quando nós mesmos reproduzimos exatamente os mesmos comportamentos, atualizados e em nova roupagem, mas ainda assim, os mesmos. A literatura vem a ser, então, uma maneira “de preservar e transmitir a experiência dos outros, aqueles que estão distantes de nós no espaço e no tempo, ou que diferem de nós por suas condições de vida. Ela nos torna sensíveis ao fato de que os outros são muito diversos e que seus valores se distanciam dos nossos [vide Aleppo] (COMPAGNON, 2009, p. 47).
De todos os contos de fadas recolhidos e adaptados da literatura oral para a versão escrita por Charles Perrault, Chapeuzinho Vermelho talvez seja aquele que nos apresenta a personagem mais retaliada por leitores adultos: a mãe da protagonista.
Conhecemos o “grosso” da história de cor e salteado. Uma mãe ordena à filha que atravesse uma floresta perigosa completamente desacompanhada a fim de levar comida para a avó debilitada. Quantos de nós não ficam estarrecidos com a atitude dessa mãe que, inconsequentemente, decide enviar uma criança totalmente desacompanhada ao interior de uma floresta com ameaças da proporção de mandíbulas lupinas e toda sorte de perigos?
É correto afirmar que os contos de fadas não precisam fazer sentido todo o tempo, que neles o absurdo está sempre latente em alguma medida e que o maravilhoso afeta todas as personagens, para as quais um lobo falante ou feijões mágicos estão na ordem do dia. Mesmo tudo isso, porém, parece não ser suficiente para redimir essa mãe perante os leitores. E eu até cederia a tentação de questionar que tipo de mãe deixaria a filha atravessar uma floresta sozinha? Mas o problema é que eu conheço a mãe da Chapeuzinho Vermelho.
Os pais da Chapeuzinho Vermelho somos nós. Eu, você, seu vizinho, toda vez que decidimos que certos assuntos não são para crianças. É aquele escritor de obras infantis que subestima seu público fazendo uso de uma linguagem simplória, bem como a produtora daquelas animações que continua entupindo os espaços da tela com personagens macérrimas, brancas e estereotipadas. Somos nós quando decidimos que ainda não está na hora de conversar honestamente com as crianças sobre certos assuntos, e permitimos que estas cresçam indiferentes e mal equipadas quanto ao lidar com os aspectos desagradáveis da existência humana. Atuamos com nocivo paternalismo e moldamos os corpos das crianças com o que Walter Benjamin acertadamente chama de “um preconceito inteiramente moderno” em relação à infância e ao que julgamos ser ou não ser apropriado à infância que construímos em castelos de marfim. “Trata-se do preconceito segundo o qual as crianças são seres tão diferentes de nós, com uma existência tão incomensurável com a nossa, que precisamos ser particularmente inventivos se quisermos distraí-las” (BENJAMIN, 1987, pp. 236-237).
Maria Tatar, escrevendo acerca da importância de permitirmos que as crianças sejam atravessadas pelos contos clássicos, cita o historiador e crítico social Arthur Schlesinger Jr., para quem os contos clássicos “contam às crianças o que elas inconscientemente sabem – que a natureza humana não é inteiramente boa, que o conflito é real, que a vida é severa antes de ser feliz – e com isso as tranquilizam com relação a seus próprios medos e a seu próprio senso de individualidade” (TATAR, 2010, pp. 07).
Como fez a mãe de Chapeuzinho na versão de Perault, enviamos nossas crianças para a essa floresta que é experiência humana sem lhes falarmos do que há por lá.
Pensar na floresta como uma metáfora para esse local de não ditos e ocultamentos para o onde exorcizamos as realidades que tentamos esconder das crianças pode se revelar bastante produtivo, guiando-nos a reflexões verdadeiramente urgentes acerca do risco que é impedir as crianças de saberem da existência dessas realidades. A floresta vem a ser o lugar do qual pretendemos privar a infância e no qual, paradoxalmente, as abandonamos, como ocorreu com as crianças dos contos clássicos, como em O Pequeno Polegar, João e Maria e Branca de Neve. O mesmo movimento que tenta ocultar a floresta do olhar infantil é o movimento que insere a criança no olho da selva, pois a floresta vem para todos e, sendo inevitável, precisamos aprender a encará-la, estar prontos para ela. Precisamos falar sobre a floresta.
A floresta é esse local onde nunca estamos totalmente seguros – qualquer semelhança com a vida não é mera coincidência – e que, por essa razão, atenção e conhecimento tornam-se cruciais nesse espaço, no qual somos imersos em sombras e escuridão. A floresta é o lugar do medo, dos barulhos e ruídos, dos passos incertos e das armadilhas, o local de criaturas selvagens, peçonhentas e famintas, e ela se manifesta em variadas formas, numa diversidade de fauna e flora que nem mesmo todo o aparato técnico da contemporaneidade é capaz de abarcar.
Em Aleppo, e em várias regiões do globo, essa floresta escura tem visitado crianças e marcado suas vidas num jogo de sombras que jamais deixará de ecoar nelas. Muitas dessas crianças jamais sairão da floresta. Pode-se imaginar como, para muitas delas, a floresta as tomou de assalto, completamente desprevenidas, e temos algum grau de culpa nisso. Nós, que já caminhamos por lugares tenebrosos da floresta, ou acerca dos quais ouvimos falar, mas que seguimos desconsiderando sistematicamente nosso dever de comunicar nossas crianças acerca da existêcia desse lugar, lançando focos de luz aqui e ali. Diferente do que nos ensina os contos de fadas, deixamos que crianças e adolescentes encontrem a floresta no estado de habitat do completo desconhecido.
E assim damos início ao ritual sacrifical: depositamos a infância no altar de nossos preconceitos e das projeções equivocadas e, em seguida, a entregamos a uma educação que prima pela ignorância. Então, cedo ou tarde, a floresta vem para reivindicar a sua oferta de medo e de trauma, pois quando ela vem, autotrófica e repentina, é medo e trauma que ela fabrica. E não importa o quanto você se esforce para impedir, as crianças sempre encontrarão um caminho para a floresta. E se elas não forem até a floresta, a floresta virá até ela, pois é da natureza das florestas não pararem de crescer e alcançar espaços que antes não ocupava.
As crianças estão para as florestas da vida como um ser vivo está para a morte: não há como fugir.
Ao nascermos, a floresta já está lá, nos envolvendo em uma série de pequenos traumas: o corte do cordão umbilical, a expulsão do líquido dos pequeninos pulmões, o ar frio invadindo as narinas, a explosão de cheiros e mil dedos tateando o corpo ensanguentado de pele tenra. Choramos perante a imensidão da floresta. Para algumas crianças, a floresta permanece ali, tendo elas nascido em condições de decadência, levando a vida nos cantos e vielas, dividindo alimento com os urubus. Nas favelas do Brasil – florestas de concreto com esgoto a céu aberto –, corpos negros alvejados e tombados no chão estão na ordem do dia de crianças que se dirigem a pé para a escola.
Às vezes, os corpos tombados são elas.
Para outras crianças, detentoras de alguns privilégios, esconde-se a realidade da floresta prendendo-as em rotinas e espaços, ocultando-lhes toda a maldade do mundo numa empreitada destinada ao miserável fracasso, pois, como já foi dito, a floresta vem sempre, uma hora ou outra. E, talvez, a pergunta que precisamos fazer a nós mesmos seja como nossas crianças estarão quando, enfim, essa hora chegar.
Que tipo de ser humano, afinal, esconderia de uma criança a existência de um lugar tão perigoso e instável, deixando-a lidar com o completo desconhecido?
Neste ponto do texto é provável que não se tenha muito para onde correr. Talvez tenha chegado a hora de descer desse pedestal que lhe permite erguer seu indicador como um cetro de condenação dirigido às personagens dos contos de fadas vivendo em contextos extremos e adversos, e então voltá-lo em direção a você mesmo. Pois é muito provável que esse tipo de pessoa seja exatamente o tipo de pessoas que você é. O tipo de pessoa que nossa sociedade fabrica.
E talvez seja importante levantar algumas questões:
A quem interessa que Chapeuzinho Vermelho desconheça que não tem o direito de sair da trilha, estando ela inserida na categoria “mulher” no interior de uma sociedade constituída por lobos e que, por isso, suas ações e vivências possíveis são delimitadas levando-se em conta as construções heterocentradas em tono dessa categoria?
A quem interessa que Chapeuzinho Vermelho desconheça que essa trilha que limita seu andar foi construída por homens que tem total liberdade para transitar e desbravar os quatro cantos floresta?
A quem interessa que Chapeuzinho desconheça que a vida que ela e sua mãe levam no espaço doméstico não é a única forma de experienciar a vida?
Quem se beneficia quando perguntas como essas não são feitas?
Na contemporaneidade, as florestas têm se tornado tabus. Ignoramos o fato de que, como nós, adultos, as crianças e os adolescentes têm seus próprios dilemas que, na maior parte das vezes, são tão ou mais angustiantes e complexos quanto os nossos. Crianças sabem o que é dor, desejo, luto, frustração, fome, sofrimento, guerra, fuga. E se a floresta é o espaço da sobrevivência, os contos nos ensinam que, por isso mesmo, é também local de luta e de resistência.
Para vencer na floresta, precisamos nos tornar conscientes dela, estar nela de corpo e mente. E é nosso dever caminhar nessa floresta com as crianças, falar-lhes dela, ler histórias que abordem os terrores que a habitam. Sabemos de coisas que muitas vezes as crianças ainda desconhecem, por já termos caminhado pela floresta durantes noites de quase completa escuridão, ou em dias de calor sufocante. Conhecemos muitos dos perigos que nos espreitam, dos terrores que as pessoas enfrentam e enfrentaram, e dos tipos de humanidade selvagem que a floresta guarda. E tudo isso, talvez, constitua uma das mais importantes lições que os contos têm para nos transmitir, a noção de que a floresta é o espaço no qual lidamos com problemas reais e urgentes, onde descobrimos mais acerca de nós mesmos e também dos outros, fugindo de ogros gigantes a fim de voltar para casa, arquitetando uma saída, uma rota de fuga. A floresta é, então, o lugar da alteridade, do viver junto para vencer junto, o lugar da criatividade, um exercício de múltiplas inteligências. Não é em vão que a floresta é um elemento que sempre é retomado nos contos de fadas, quase onipresente. E essa onipresença se materializa também em nossas vivências pelo que podemos chamar de janelas.
Janelas para a floresta: uma cena de violência crua através do vidro empoeirado do carro; a curiosidade acerca de “para onde foi o vovô?” e do “ele vai voltar?”; o punho do pai desferindo golpes em direção ao rosto da mãe assustada, em posição fetal, o grito, o inchaço roxo, o choro; um corpo caído no asfalto sobre uma poça de sangue, cena em hig definition de um filme real; uma fala racista; o bullying e suas insinuações suicidas; o amiguinho da escolinha que nunca mais apareceu; a melhor amiga que engravidou e precisou se mudar; a foto compartilhada na internet, os comentários, a vergonha; a trilha tortuosa e limitadora que se impões às meninas; a cena de sexo violento vista pelo buraco da fechadura; a criança mendigando na rua ou comendo no lixo; o acidente de carro e os sobreviventes; os abusos praticados por um parente próximo; o pai que nunca esteve presente e manda mensagens dizendo que qualquer hora fará uma visita… A floresta parece não ter fim.
Ou falamos sobre a floresta, ou a floresta falará de si mesma com seu linguajar gutural e cavernoso.
Acima de tudo, sejamos honestos com nossas crianças. Encaremos com seriedade seus questionamentos, medos e curiosidades. E se a criança ameaça passar tempo demais observando a floresta à distância ou fazendo perguntas sobre o que há nela, seja-lhe uma companhia.
A floresta vem cedo para alguns, um pouco tarde para outros, mas vem. E precisamos aprender com ela. A floresta, em algumas versões dos contos da Chapeuzinho Vermelho, nos revela uma menina capaz de, sozinha, ludibriar o lobo e mesmo matá-lo (DARNTON, 1986, p. 82). A floresta nos ensina a desenvolver nossas próprias ferramentas, nossas próprias mandíbulas, para que sobrevivamos. A floresta nos dá autonomia.
Nunca saímos da floresta da mesma forma que entramos. Mudamos. E é sempre bom lembrar que há muita gente que ainda acredita no poder das fadas.

 

REFERÊNCIAS
BENJAMIN, Walter. Livros infantis antigos e esquecidos. In:___. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas. Trad. de Sérgio Paulo Rouanet. 3ª. ed. São Paulo: Brasiliense. 1987; v 1: pp. 236-237.
COMPAGNON, Antoine. Literatura para quê? Trad. Laura Taddei Brandini. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. p. 47.
DARNTON, Robert. Histórias que os camponeses contam: o significado de Mamãe-Ganso. In: ___. O grande massacre dos gatos: e outros episódios da história cultural francesa. Trad. Sonia Coutinho. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Graal Editora, 1986. pp. 21-101.
PERRAULT, Charles. Contos da mamãe gansa ou histórias do tempo antigo. Trad. Leonardo Froés. São Paulo: Cosac Naify, 2015. p. 49.
SOUSA, Soraya de Melo Barbosa. A dialética do poder na relação entre resistência e repressão na obra Os que bebem como os cães, de Assis Brasil. In: ___. Literatura de subversão: três estudos. BRANDÃO, Saulo; FROTA, Wander Nunes; KOCH, Ana Maria (Orgs.). Recife: Editora Bagaço, 2008. pp. 11-164.
TATAR, Maria. Introdução. In:___. Contos de fadas. Trad. Maria Luiza Borges. Rio de Janeiro, Zahar. 2-10. pp. 07-17.
Anúncios

2 comentários sobre “Carta aberta aos pais de Chapeuzinho Vermelho

    1. Olá, Suellen!

      Falamos de paternalismo nocivo quando a postura do adulto (sejam pais, professores ou escritores) encara a criança a partir de concepções de infância que apagam ou anulam sua subjetividade, subestimando-a. Esse paternalismo se dá tanto por meio da linguagem que utilizamos quando nos dirigimos às crianças, quanto por meio das avaliações que fazemos das opiniões, pensamentos e escolhas feitas pelas crianças como sendo indignas de crédito.

      Em “Crítica, teoria e literatura infantil”, o Professor e teórico de literatura infantil, Petter Hunt, tratando da questão da produção literária para crianças, aponta para o modo como costuma-se escorregar para uma atitude paternalista na linguagem utilizada por muitos(as) escritores(as) de literatura infantil. Esse paternalismo nocivo é o que leva editoras a simplificarem a linguagem de certos livros, partindo do pressuposto de que crianças são incapazes de valorizar um texto que faça uso de palavras que estas desconhecem. E aqui entra aquele preconceito mencionado no artigo, quando cito o Walter Benjamin.

      Espero ter respondido satisfatoriamente sua pergunta ^_^

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s